quinta-feira, 1 de julho de 2021

O VAZIO QUE HABITA

 Geralmente, quando inicio uma postagem, já tenho um título - geralmente impactante - o qual gostaria de me lembrar alguma tempo depois da chamada... Avassaladoramente, inclusive!

Olhar o título e ter quase um spoiler do que se trata. Mas, dessa vez, tenho vontade de nomear apenas como VAZIO.

Desde a minha última postagem, que nem me lembro qual foi, eu tive muitas vivências... Positivas, outras nem tanto... Mas, quero falar sobre o que me fez abrir o computador e começar a escrever: meu  casamento.

Acho que as coisas estão um pouco diferentes do que imaginei no meu conto de fadas chamado 'casamento'. Vamos lá:

Nos casamos em novembro de 2020... Viemos morar juntos na semana do Natal e em Fevereiro nasceu nosso bebê, o Bento.

Acontece que muitas coisas não foram bem como eu imaginei e isso envolve a minha privacidade e um monte de outras coisas nesse âmbito. Mas, continuemos...

O casamento em si é conturbado. Ok que conviver 24 horas numa pandemia, com uma família no quintal querendo participar quase que do seu casamento, não é fácil. E o pior: convencer pacientemente seu marido que é isso que acontece (mas ele não percebe, ou pior, não se importa).

Sei lá, brigamos por coisas do cotidiano, que todo casal briga. Mas, também por coisas que eu não sei se qualquer um iria brigar. Vou dar um exemplo ridículo: hoje fiz um doce de limão e daríamos para a família dele também. Ele tirou, mas desmontou tudo e amontoou, parecendo uma "lavagem de porco" (era um pavê). Daí eu reclamei que ele desse esse pedaço, parecendo um resto de comida e blablabla... Poxa, nada a ver ele fazer isso, uma vez que o pai dele SEMPRE nos dá a comida com todo o carinho do mundo e a mãe dele também. Achei nada a ver ele fazer isso. E mandei ele trocar, uma vez que o nosso pedaço estava no pote ainda e com bom visual.

Enfim, daí começamos uma briga sem fim, com acusações pra todos os lados e inúmeras insatisfações do dia a dia. Não sei, mas acho que nos perdemos. Acho que estamos perdidos...

Eu acho que debater sobre coisas que não debatemos nunca, me faz enxergar alguém que eu não sinto que conhecia... Com posicionamentos que eu considero preconceituosos... Mas, ao mesmo tempo, convivo com o homem de coração generoso, bondoso ao próximo e que seria incapaz de fazer mal propositalmente a outra pessoa a troco de nada. Um ótimo pai, devo deixar registrado.

Mas, sei lá...Como homem e mulher, não sei se por conta da pouca idade do nosso filho, mas não consigo mais nos reconhecer... Poucas vezes trocamos carinhos ou, ao menos, palavras de carinho... Afetuosas de maneira conjugal...

Eu amo a minha família e escrevo isso de frente pra ele, com nosso filho no colo, que me olha e sorri... Da maneira mais lindamente inocente do universo... Para esse bebê que desconhece qualquer tipo de briga e fazemos questão de mostrar a ele somente o melhor do mundo. Com seus olhinhos grandes e expressivos, ele me olha e observa cada detalhe meu, até meu cabelo - o qual estou com extrema insegurança por estar passando pela transição - que eu não sei ainda se vou manter para sempre.

Mas, estar casada é difícil. Ter um filho não é ter um casamento.... Nunca quis dizer isso. Algumas vezes eu penso em separação, pra gente continuar sendo bons pais pro Bento, pra que a gente ainda possa conviver de maneira educada e saudável. Outras vezes eu acho que isso é impensável.

Tem tanta coisa na minha cabeça e tanta coisa entre a gente, que eu nem sei... Mas, sinto que aqui é meu lar (apesar de tudo). Gosto do que construímos, da parceria que temos, dos nossos bons momentos, das nossas trocas... Eu realmente queria que essa fase passasse logo... Não temos um momento de intimidade há bastante tempo e digo um momento em que a gente realmente VIVA de maneira intensa nosso relacionamento. E tá cada vez mais difícil isso acontecer... Às vezes, é tanta mágoa acumulada que eu penso que mesmo que tivesse o momento, eu nem sei se eu ia mesmo querer vivenciá-lo... Se assim mesmo, do jeito que está, já não está bom.

Mas, não é muito saudável ser colega de quarto casada há menos de 1 ano, né... Cá pra nós. rsrsrs...

Algumas vezes falta até o respeito. Falta a cumplicidade. Falta o que nos trouxe até aqui... Às vezes eu me sinto bem e grata por tudo que tenho, mas não sei se ainda acho que é para sempre... Que nós somos para sempre ainda...

Precisaremos de muito mais que apenas um filho para nos mantermos como marido e mulher. MUITO MAIS!!!

Dou desconto à fase que estamos passando... Ele desempregado, nós dois convivendo 24h, eu tendo que "educar" a família dele e vendo minha privacidade e criação do nosso filho sendo questionada e interrompida a todo tempo... Eu respiro, conto até 10 e vejo essa coisinha linda que eu coloquei no mundo e é quem me dá forças pra continuar; mas também quem me faz pensar o tempo inteiro que eu mereço E DEVO ser feliz por inteira.

Não sei se é utópico o que eu procuro, mas o engraçado é que eu não sinto medo algum de absolutamente nada que envolva estar com meu filho, onde quer que seja.... Nós dois! Pelo menos, nós dois, ou melhor....

Ser mãe não me mudou, mas ratificou o meu melhor, que sou eu mesma! Não preciso mudar para ser a melhor mãe do mundo pro Bento... Preciso ser eu e fazer as coisas do meu jeito porque eu sou uma pessoa que naturalmente voa para ver o horizonte com seus próprios olhos e não com os de alguém que supostamente um dia já viu...

Enfim, termino esse texto com um eu te amo, mas entalado. Entalado porque eu ainda não sei se sei. Não por não amar, mas porque eu preciso muito saber se apenas isso pode ser suficiente... Volto para contar...